A declaração do título foi feita pelo historiador da Unicamp (SP) Leandro Karnal. De pronto, ficamos contrariados com tal afirmativa, pois, enquanto cidadãos, nos colocamos bem distantes da corrupção que, diuturnamente, é noticiada nos veículos de comunicação. Mas, passados os primeiros instantes de choque com tal afirmativa e lembrando de vários momentos políticos de nosso país, começamos a perceber que a declaração, verdadeira ou não, tem um bom propósito, nos faz refletir.
Não podemos negar que os envolvidos em grandes casos de corrupção ou de má administração do dinheiro público foram democraticamente eleitos nas últimas eleições – alguns, mesmo após condenação judicial em primeiro grau.
OPINIÃO: Bolsonaro não me representa!
Não há dúvidas de que tais fatos, diante da aproximação de novas eleições, precisam ser analisados e discutidos e que o local preferencial para isto é a escola. A escola pode propor essa discussão por meio do estudo do tema que perpassa toda e qualquer questão pública: a ética (ou sua falta).
O atual momento político vivido pelo Brasil reforça a discussão sobre o papel da ética no cotidiano. A falta de ética é encontrada na escola, nas famílias, no local de trabalho e na vida em sociedade. Portanto, é o momento de abrir espaço em nossas escolas e nos meios acadêmicos para exercitar a ética tão cobrada de governos e empresas. Tal discussão é um passo importante para este treinamento difícil e permanente que significa o exercício democrático. É certo que a ética deve começar pela família, mas pode e deve ser aprimorada na escola.
OPINIÃO: Descaminhos eleitorais
O tema remete, com certeza, a muitas discussões como valores morais, hábitos e formas de conduta frente à ocorrência de situações como utilização do dinheiro público para interesses pessoais, agressões verbais que levam a agressões físicas, homofobia, bullying, entre outras. O espaço escolar deve estar aberto ao diálogo entre pontos de vista diferentes, os quais se espera que sejam defendidos por meio de argumentos, com respeito ao próximo e na busca do bem comum.
OPINIÃO: Bem-ensinados e mal aprendidos
O debate sobre a ética contribui para o aumento da reflexão sobre os efeitos de nossos atos, tornando-nos mais conscientes e responsáveis na vida em sociedade, desse modo, o diálogo – e não a força – prevalecerá, e nossas ações poderão refletir valores republicanos: igualdade, liberdade e solidariedade.